Quando foi convidado pela SAAD para cuidar do projeto de iluminação de seu showroom, em São Paulo, Guinter Parschalk tinha como principal desafio transformar um antigo galpão industrial com paredes cinzas e o chão de cimento queimado em um espaço dinâmico e sofisticado para receber lojistas e comerciantes. Desde o início, Parschalk teve liberdade total para trabalhar o espaço e agregar seus conceitos para ambientar o showroom através da iluminação.
Para amenizar a atmosfera de fábrica, o arquiteto optou por criar um conjunto bastante claro – e branco –, valendo-se de destaques pontuais para enfatizar formas e organizar a leitura do espaço. E, para evitar um ambiente estanque, Parschalk lançou mão das cores, utilizando filtros em determinados nichos. “Um grande espaço pode virar um galpão ou um loft dependendo do tratamento. É só mudar a leitura”, diz ele.
A iluminação geral é feita por projetores fixados em eletrocalhas de bandejas largas. O generoso pé-direito permitiu o uso de inúmeros projetores voltados tanto para o chão como para o teto. Nessa estrutura também ficam locados (sem serem vistos) os reatores.
Os projetores voltados para baixo são pequenos “canhões” de iluminação cenográfica, responsáveis pela iluminação geral e de destaque. Neles, o arquiteto alternou lâmpadas a vapor metálico e halógenas, nos tipos AR 111 e PAR 30, esta com abertura de 30º. Também foram utilizados filtros de vidro coloridos e gelatinas no caso das lâmpadas halógenas.
Para a iluminação do teto foram utilizados projetores de facho simétrico com lâmpadas a vapor metálico na cor azul, da marca alemã BLV e filtros de vidro na mesma cor.
Também foram aplicadas cores no pórtico da recepção. Nele, as lâmpadas halógenas e as a vapor metálico receberam um filtro de gelatina da Rosco, que deixaram o espaço com uma coloração âmbar-avermelhada.
Na entrada do showroom, onde há um pequeno túnel de acesso, sancas longitudinais instaladas nas duas laterais alteram a noção de espacialidade e perspectiva do visitante. As linhas de luz do rodapé e do teto dão a impressão de que a passagem é ainda mais comprida e cria uma certa sensação de enclausuramento, aliviada, porém, com a visualização do espaço claro no qual culmina o túnel.
Outro aspecto importante do projeto reside na possibilidade de os destaques serem trabalhados por setorização. Para os expositores e para os nichos, Parschalk optou por lâmpadas fluorescentes T8 de 3.000K de 16 e 32 W de potência. Cada plano expositor conta com três ou quatro produtos em destaque. Assim, enquanto os projetores instalados nas eletrocalhas cumprem o papel de iluminação geral e de destaque, as fluorescentes evidenciam os móveis, setorizam o showroom e funcionam como componentes arquitetônicos, “organizando” a leitura do espaço.
O que se percebe no showroom é uma linguagem estética bastante impactante em um espaço, no entanto, equilibrado e harmonioso, onde a sofisticação e qualidade dos produtos ficam evidentes.
Por Gustavo Garde |